Não, o homem ocidental não é o único padrão de beleza
Vamos falar sobre sexo

Não, o homem ocidental não é o único padrão de beleza

Alto, bonito, musculado, com traços faciais bem definidos. Durante anos fomos levados a pensar – graças ao cinema e à publicidade – que o homem perfeito tinha estas características. Contudo, um estudo levado a cabo por peritos da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, e publicado na revista Frontiers in Psychology mostra que tal pode não ser o caso. O homem “ocidental” não é o único padrão de beleza. Ou, mais para ser mais exato, um modelo de beleza nem sempre se desenvolve a partir de estereótipos ocidentais; está sim mais ligado a fatores “locais”.

A ideia para o estudo nasceu da tomada de consciência de que a maioria das investigações realizadas sobre influências socioculturais, incluindo as relacionadas com modelos dominantes de masculinidade, se concentram na denominada “população WEIRD” (um acrónico para “Western, Educated, Industrialized, Rich, Democratic”. Que corresponde aproximadamente aos habitantes de países ricos e desenvolvidos). Tal implicaria que muitas das conclusões atuais propostas pela ciência como, por exemplo, as relacionadas com o abuso de esteróides ou a adoção de dietas não saudáveis, poderiam estar parcialmente distorcidas. Para aprofundar a questão, os autores do estudo compararam um grupo de homens britânicos com um grupo de homens do Uganda e com um grupo de homens da Nicarágua.

Os parâmetros demográficos e físicos recolhidos e avaliados (como por ex. índice de massa muscular). Foi entregue aos participantes um questionário que lhes pedia para auto-avaliarem os seus níveis de masculinidade e para o compararam com a sua própria ideia do “corpo ideal.” Os resultados mostraram, por exemplo, que os homens nicaraguenses – apesar de afirmarem estar “pouco preocupados” com a sua aparência física – querem, no entanto, aumentar a sua massa muscular. “Isso está relacionado com um comportamento que poderia ter origem nas ideias locais de masculinidade,” explica Tracey Thornborrow, principal autora do estudo, “em particular, a ideia de que um corpo musculado é sinónimo de trabalhador aplicado, em vez de indivíduo preguiçoso. Na Nicarágua, a maioria do trabalho é, de facto, de natureza física.” A imagem que emerge do estudo não é conclusiva, no todo, e os cientistas salientaram a necessidade de realizar mais pesquisa para compreender as ligações entre cultura e padrão de imagem corporal.

HFTHQ 20-01

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