O que sabemos: sexo e menopausa
Vamos falar sobre sexo

O que sabemos: sexo e menopausa

Diálogo, empatia e compreender as necessidades do parceiro são fatores de extrema importância na sexualidade para que o casal fique seguro e satisfeito.  Especialmente quando chega a menopausa, as consequências envolvem ambos os parceiros. A mulher, por razões óbvias, mas também o homem que tem de enfrentar com calma as alterações fisiológicas na sua parceira. Têm de enfrentar muitas questões juntos, mas ela tem de se convencer que a menopausa não precisa de "travar" a vida enquanto casal. Para quase um quarto de todas as mulheres na menopausa, o sexo desempenha um papel importante na expressão pessoal. Estas conclusões foram apresentadas num estudo recente realizado por Holly Thomas, que ensina medicina na University of Pittsburgh e apresentou os resultados em setembro passado no congresso (virtual) da North American Menopause Society. O inquérito foi realizado com mais de 3 mil mulheres já envolvidas no estudo SWAN (Study of Women’s Health Across the Nation), que avaliou ao longo de um período de 15 anos, as condições de saúde de mulheres americanas estudando parâmetros objetivos (por exemplo níveis hormonais, índice de massa corporal, tensão arterial, etc.) e uma série de questionários destinados a descobrir a eventual presença de sintomas de depressão e a forma como a pessoa aborda a atividade sexual e se isso muda com o passar do tempo.

A investigadora afirma que os dados apontam especialmente numa direção: cada mulher é diferente e pode ser enganador tentar encontrar uma forma "normal" entre as várias abordagens. E por isso, em vez de tentar encontrar um comportamento padrão, Thomas focou-se em três caminhos específicos que, na sua opinião, as mulheres tendem a seguir ao tentar determinar a importância do sexo nas suas vidas. O primeiro grupo, e mais numeroso (45% da amostra) que acha que a atividade sexual erótica se torna lentamente menos necessária entre os 40 e os 60 anos de idade. Para 27% das mulheres, o sexo continua a ser particularmente importante mesmo com o avançar da idade. Em 28% dos casos, contudo, as mulheres entrevistadas declararam nunca ter experimentado um grande desejo por sexo  entre os 40 e os 60 anos. No geral, diz Thomas, as mulheres que sempre tiveram uma vida sexual satisfatória, tanto do ponto de vista físico como mental, são também as que afirmam que o sexo é uma parte importante das suas vidas à medida que envelhecem.  Como é evidente, esta categoria inclui também as mulheres que demonstram menos sinais de depressão. Sabe-se agora que existe uma ligação entre os sintomas de depressão e uma libido baixa. Menos conhecida, contudo, é a ligação com a educação.  As mulheres com níveis de escolarização superiores tendem a ver o sexo como uma parte importante da vida, mesmo nas idades mais avançadas.

O ponto é que a sexualidade feminina durante a menopausa tende a ser um tópico tabu para muita gente. E é importante, como salienta Stephanie Faubion, a Diretora do Center for Women’s Health na Mayo Clinic, que tais questões entrem nas conversas de rotina entre médicos e as suas doentes. Como lidar com dor durante a penetração? O sexo tem de incluir penetração ou há outras formas de ter intimidade e de satisfazer o parceiro? Como enfrentar o declínio progressivo do desejo sexual? Não há dúvida que o funcionamento sexual se torna muitas vezes pior durante a menopausa. Linda Vignozzi, que dirige o Dipartimento di Andrologia, Endocrinologia e Incongruenze di genere of the Azienda Ospedaliero-Universitaria Careggi in Firenze, afirma num estudo recente em “Medicina”  que “os sintomas mais reportados incluem uma diminuição no desejo (40-55%), dificuldades com a lubrificação (25-30%) e dispareunia (12-45%)” que é dor durante a penetração. Na base destes problemas está a redução dos níveis de esteróides sexuais (estrogénio e androgénio), mas que também desempenham um papel importante nas relações e alterações psicológicas ligadas ao envelhecimento, bem como um aumento na comorbilidade metabólica e cardiovascular. O estudo continua com a afirmação de que hoje em dia existem muitos tipos de tratamentos hormonais e não hormonais (tanto locais como sistémicos), que poderiam ser usados para personalizar o tratamento, avaliar a extensão dos sintomas, os efeitos secundários potenciais e as preferências da doente.

Para garantir que a menopausa é uma altura feliz do ponto de vista sexual, a autora conclui que as estratégias terapêuticas devem incluir estar muito bem informado sobre o tópico e abordar adequadamente os fatores em mudança da mulher. Fornecer informações sobre a função sexual normal, enfatizar a importância da motivação e da estimulação sexual adequada, a influência da idade e a duração das relações sexuais ajuda frequentemente a criar mudanças positivas no comportamento sexual. Depois, é também necessário ter em conta os fatores de risco mais comuns, tais como alterações no estado de espírito, um estilo de vida sedentário, certos distúrbios endócrinos (hipo ou hipertiroidismo, diabetes, etc.), a presença de infeção ou doenças ginecológicas ou urológicas. Por último, é importante manter-se conectado com o parceiro, trabalhar para mudar formas de comunicação negativas e até para alterar as formas de pensar sobre sexo. O casal precisa de enfrentar as consequências da menopausa em conjunto. 

HFTHQ 20-55
Referências bibliográficas

Irene Scavello, Elisa Maseroli, Vincenza Di Stasi, Linda Vignozzi - Sexual Health in Menopause - 2019

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