Transplante peniano: finalmente, uma opção viável
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Transplante peniano: finalmente, uma opção viável

Uma equipa de urologia da Cidade do Cabo, na África do Sul, publicou recentemente na prestigiada revista The Lancet um relatório de caso de alotransplante peniano num caso de amputação do pénis com um acompanhamento de 24 meses.

Até agora foram publicados quatro casos de alotransplante peniano: um em Guangzhou, na China, em 2005 (infelizmente retirado após apenas 2 semanas), um em Boston e dois na Cidade do Cabo. No entanto, este é o primeiro relato de um transplante de pénis que resultou na retomada da função do mesmo. O recetor começou por comunicar a prática de relações sexuais satisfatórias 5 semanas após a cirurgia e, depois disso, comunicou a prática de relações sexuais regulares a partir de 3 meses após a cirurgia. Apesar de diversas complicações agudas, as avaliações da qualidade de vida e da saúde física melhoraram substancialmente após a cirurgia. Aos 24 meses, o fluxo urinário máximo encontrava-se dentro da gama normal e, ainda mais importante, a pontuação do IIEF era normal, confirmando a recuperação da função erétil.

Os autores recordaram que, na África do Sul, muitos homens ficam afálicos devido a complicações graves decorrentes de circuncisões em nome da tradição. Até hoje, as únicas cirurgias reconstrutivas após a perda do pénis consistiam em faloplastias e próteses. Este relatório demonstra que o alotransplante peniano é agora uma opção viável que pode dar esperança a muitos homens mutilados.

Obviamente, o benefício de um transplante peniano bem-sucedido deve ser ponderado relativamente à inevitável imunossupressão para o resto da vida, colocando o foco na seleção dos recetores e nas questões éticas subjacentes ao procedimento.

Eric Huyghe MD
Departamento de Urologia, Hospital Universitário de Toulouse Rangueil, Toulouse, França

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Referências bibliográficas
Van der Merwe A. et al, the lancet, set. de 2017, vol. 390, 1038-47

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